Formas de morrer com a reforma tributária

A reforma tributária chegou com a promessa de simplificar a vida de quem paga imposto. No discurso, parece um novo começo. Na prática, é um novo labirinto (com menos placas e mais pegadinhas).
O mito da simplificação
O Brasil não é só o país dos impostos, é o país das exceções. Cada regra vem com uma vírgula que muda tudo. A reforma tenta unificar o sistema, mas também cria transições, exceções e períodos de adaptação que podem durar anos. O risco é que o “novo modelo” acabe convivendo com o velho e que ninguém entenda direito o que vale.
Pra quem empreende, o perigo é duplo: pode pagar mais e entender menos.
Três formas de morrer com a reforma
A primeira é por ignorância. Muita gente acha que nada muda porque “tá no Simples”. Só que a reforma vai alterar a estrutura de consumo, os custos e as margens. Quando o fornecedor paga mais imposto e o empresário não ajusta seus preços, o lucro evapora (e ninguém percebe até o caixa secar).
A segunda é por inércia. As empresas que não revisarem o regime, faturamento e planejamento vão continuar rodando num modelo que ficou ultrapassado. É como insistir em usar um mapa velho numa estrada nova.
E a terceira é por teimosia. A clássica frase “sempre fiz assim e deu certo” é o epitáfio de muitas empresas no Brasil. O que deu certo ontem pode ser ilegal amanhã, e o contador que lute pra explicar.

A reforma não é inimiga, mas também não é amiga
A reforma não mata de uma vez, ela desgasta quem não se adapta. No discurso oficial, ela promete simplificação, mas o caminho até lá é longo e cheio de curvas.
Empresas que se anteciparem, revisarem processos e simularem cenários vão sofrer menos. As que esperarem o impacto chegar podem descobrir tarde demais que a tal “simplificação” custou caro.
Sobreviver exige preparo
Toda reforma vem com poeira, ruído e imprevistos. O segredo é tratar essa mudança como obra: revisar as bases, reforçar as estruturas e preparar o terreno. Não é sobre reclamar, é sobre se adaptar antes que o novo se torne obrigatório.
A boa notícia é que quem entender a lógica da reforma pode sair na frente. O novo sistema vai premiar quem conhece o próprio fluxo e penalizar quem ainda acredita que “contabilidade é só pra pagar imposto”. Quem se planeja, sobrevive. Quem ignora, paga em dobro.
Se você quer continuar vivo nesse novo sistema, comece conversando com quem entende o mapa. Um bom contador não é gasto, é colete à prova de reforma.



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